A ESTABILIDADE CONTRA A CRISE DO CORONAVÍRUS, ESCREVE WESLEY VAZ

Uma frase ficou famosa durante a crise: “Há meses que valem como décadas”. De fato, as sociedades mudam rapidamente quando estão diante de guerras, desastres naturais e pandemias. Nesses períodos, os valores se modificam, novas tecnologias surgem e os sobreviventes evoluem. A única certeza é o que o mundo vai mudar.

Mas e durante a crise? Será que o Brasil consegue mudar para melhor?
Para vencer a covid-19, a humanidade tem reconhecido a sua ignorância e agido rápido para produzir conhecimento. Quem está bem informado reconhece que o problema com o qual estamos lidando está distante de ser bem conhecido, o que aumenta a incerteza sobre o que fazer. E quem não estiver confuso e inseguro, não está bem informado.

O artigo “A perigosa ilusão que governos sabem como lutar contra o Coronavirus” defende que, na verdade, ninguém sabe ao certo como lidar com a crise, incluindo os governos. Mas cabe ao poder público propor e executar estratégias de impacto na vida de todos, mesmo um com alto nível de incerteza. Tarefa árdua, de alto risco, que demanda competência e o maior conjunto possível de informações confiáveis.

Desde a declaração da pandemia até agora, a evolução do conhecimento sobre o vírus, as formas de combatê-lo e as tecnologias de suporte à prevenção, tratamento e cura foi surpreendente. Somente essa semana foram publicados resultados promissores de testes em macacos de uma vacina baseada em RNA desenvolvida por pesquisadores de Oxford, pesquisas para tentar identificar fatores genéticos que podem tornar uma pessoa mais ou menos suscetível a desenvolver covid-19 e um protocolo de distanciamento controlado e de abertura da economia, com base em riscos, publicado pelo governo do RS.

O que todos os casos têm em comum? O fato de serem parte de um processo de aprendizado, contínuo e coletivo. Além disso, a tecnologia foi utilizada como aceleradora da obtenção de conhecimento e solucionadora dos problemas, quando bem entendidos. A propósito, todas essas iniciativas seriam inviáveis há um mês atrás.

O teste e a validação de milhares de hipóteses mundo afora são responsáveis por boas notícias cada vez mais frequentes. Mas a construção do conhecimento científico demanda um ambiente propício e tempo com passos e métodos científicos bem conhecidos da humanidade, e que nos trouxe até aqui. A solução não aparece por alquimia ou mágica, pelo menos desde o Renascimento.

Defender vorazmente soluções milagrosas e imediatas para a saúde e para a economia, por mais honestas que sejam as crenças de quem fala, atrapalha o ambiente de [auto]conhecimento que todos temos que ajudar a construir. Produzir informações e testar hipóteses para resolver um problema complexo e multidimensional como a covid-19 exige valorizar os incentivos corretos para salvar vidas e empregos, além de foco, concentração e silêncio.

Em um mês, teremos mais clareza sobre a doença, sobre os seus impactos econômicos, sobre as estratégias certas e erradas. E em três meses, teremos mais ainda. É fundamental que os governos possam aprender com o que está ocorrendo nesse período e agir com o maior nível de conhecimento possível, coerente com o que se sabe agora, e não no passado.

Não é razoável esperar que se conheça tudo e se acerte sempre. Mas é difícil admitir que, por quaisquer razões, o máximo do conhecimento existente no mundo não seja considerado na elaboração e na execução de estratégias locais e nacionais de enfrentamento à covid-19.

Reconhecer a ignorância é o primeiro passo para vencê-la. Passar por essa fase exigirá foco e ações arriscadas e cheias de dúvidas, que serão tão efetivas quanto o ambiente e as pessoas estiverem estáveis, institucional e mentalmente.

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